Mulher de sucesso em setor masculino

Nadir Moreno, CEO da UPS Brasil, conta como mulheres podem chegar ao topo da carreira e ainda deixar colegas carregarem as caixas

Arthur Lopez, iG São Paulo | 23/05/2011 05:30

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Nadir Moreno é a primeira mulher presidente da UPS Brasil, maior companhia de entregas expressas dos Estados Unidos. Ela chegou à empresa há quase 20 anos, e já sabia que iria enfrentar o desafio de trabalhar em um setor “essencialmente masculino”, segundo diz. No entanto, conta que esse desafio passou até de forma tranquila. Além de uma equipe que sempre colaborou e deu sua dedicação para entregar resultados para a empresa, Nadir diz que o segredo de sua trajetória foi nunca se colocar como vítima por ser mulher. O iG Estágio e Trainee entrevistou Nadir Moreno para coletar algumas orientações para uma mulher obter sucesso no mundo corporativo. Para quem acha que esse desafio já foi superado, uma pesquisa da Conferência de Mulheres Líderes da América aponta que 35% dos postos gerenciais na região da América Latina são ocupados por mulheres, mas apenas 10% dos postos de presidente ou vice presidente das empresas são ocupados por mulheres. Veja a posição do Brasil no ranking da desigualdade de sexo. Saiba também o que diz o campeão brasileiro da publicidade no Festival de Cannes sobre como ser critativo e as dicas de Abílio Diniz aos trainees.

Foto: Divulgação Ampliar

Nadir Moreno renovou o recursos humanos da UPS Brasil e chegou à presidência da empresa

Trajetória - A presidente da UPS Brasil começou na empresa quando trabalhar em uma multinacional era sinal de segurança e a atividade de entregas expressas era um serviço elitizado. Nadir Moreno estudava Letras e se destacou para trabalhar na área de liberação de cargas no Aeroporto de Cumbica, em São Paulo. “Um ambiente masculino”, lembra. Em 1995, já no departamento financeiro da empresa, deciciu estudar Direito com o objetivo de se dedicar à área de recursos humanos da UPS. Passou a coordenar esse setor, por cinco anos. foi para a sede regional da empresa em Miami, Estados Unidos e voltou para assumir os recursos humanos do Mercosul (Brasil, Argentina e Chile). Em 2007, foi escolhida a primeira mulher presidente da UPS brasileira.

iG - Por que optou por trabalhar na área de recursos humanos?
Nadir Moreno - Porque a UPS é uma prestadora de serviço e depende 100% das pessoas, achei que era mais estratégico.

iG - Qual é sua marca na empresa?
Nadir Moreno - Acho que é a quebra de um paradigma, de ter colocado recursos humanos no foco, lugar ocupado antes só pela engenharia.

iG - E o fato de ser mulher trouxe muitas barreiras em seu caminho até a presidência?
Nadir Moreno - Não encontrei muitas barreiras, apesar de a característica da atividade da UPS ser masculina. Vi que seria um desafio grande, e foi um desafio, mas passou de forma muito tranquila porque minha própria equipe, os funcionários colaboraram muito. Até porque a UPS é uma empresa global e tem um amplo programa de diversidade no mundo inteiro.

iG - As barreiras para mulheres são menores em empresas globais?
Nadir Moreno - São. As empresas são preparadas para não ter essas barreiras. O que você encontra são pessoas que pensam diferente. Quando uma divisão, encontrei alguma dificuldade. Pessoas com 30 anos do mercado olhavam como se estivessem perguntando o que ela esta fazendo aqui.

iG - O setor era despacho aduaneiro, que era um ambiente masculino. Qual a sua dica para uma mulher iniciando a carreira nessa situação?
Nadir Moreno - Era ambiente essencialmente masculino. Mas isso era até positivo. Você vai pegar uma caixa e vem alguém oferecendo ajuda. O homem automaticamente pensa que você é frágil com relação a carrregar peso e colabora. Eu sempre vi isso como positivo.Só não posso pensar que ele me acha frágil e que por isso eu não tenho capacidade para estar ali. Nunca fui para esse lado.

iG - Qual sua orientação para as mulheres que têm de chefiar nessas situações?
Nadir Moreno - É ter consciência de que a primeira impressão, primeira mensagem é de dúvida. Você pode demonstrar pelo trabalho e essa dúvida se você tem capacidade não vai mais existir. Ela nunca deve se colocar no papel de vitima, ou pensar que estão duvidando de mim porque sou mulher. Se isso acontecer, o trabalho é dobrado, porque primeiro você terá de provar até para você mesma que não é assim e depois ainda realizar o trabalho. Quando você prova para essas pessoas que duvidaram de sua capacidade, elas passam a ser as mais leais a você.

iG - Mas pode deixar o colega carregar uma caixa para você?
Nadir Moreno - Agora, isso de carregar caixa ou peso não é mais uma questão de homem ou mulher. As empresas tem regulamentos que determinam que acima de determinado peso épreciso usar um carrinho

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